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Na última semana os meios de comunicação locais e nacionais divulgaram amplamente o fato da Goiâninha ter sido escolhida a melhor capital brasileira para se viver. Por favor, não leia este artigo esperando alguma crítica ao governo, pois estou aqui para conversamos a respeito de quem realmente deveria “fazer” a capital goiana ser o melhor lugar para se viver: os goianienses.
Vamos ser honestos, a cidade fundada por Pedro Ludovico Teixeira em 24 de outubro de 1933 possui um número pequeno de favelas, a arborização é levada a sério, os programas sociais são acompanhados de perto pelos gestores, nos últimos 4 anos foram construídos mais de 16 parques e 360 praças foram revitalizadas. Como qualquer outra cidade brasileira (ou cidade que viva no modelo capitalista) Goiânia tem seus problemas de desemprego, violência urbana e falta de qualidade de vida e renda para grande parcela da população.
O que também deveria ser analisado neste título é a cultura do povo local. Não só nível de instrução e sim a cultura intrínseca e modo de vida do goiano. Se esse quesito global fosse considerado, certamente a cidade não ganharia o título, já que vivemos em um habitat no qual o peão sertanejo é o grande patrão. O que quero dizer? Vamos analisar dois grupos em relação ao dominante na cidade: as mulheres e os homossexuais. No caso das mulheres, elas ainda são vistas como meras coadjuvantes. Basta analisarmos o tratamento ao fechar um negócio (não são consideraras como palavra firme) ou pelos próprios homens (um mero objeto para sanar uma necessidade biológica e troféu para os amigos). Podemos pensar que isso não acontece somente em Goiânia, mas sim no Brasil inteiro. Ok. Quantas mulheres líderes você pode apontar em Goiânia? E agora quantas no sul do Brasil você poderia encontrar? Milhares. Em outras regiões os homens não só respeitam a mulher como ela é a chefe da família. Para a maioria dos goianienses mulher ainda é somente a determinação de um gênero, assim como os homossexuais.
No Brasil não temos o ideal de postura junto ao homossexual como em outros países. Exemplo a Dinamarca onde o casamento entre pessoas do mesmo sexo é legalizado desde 1989. Se nas grandes metrópoles, como Rio de Janeiro e São Paulo, o homossexual ainda é caçado e associações de bairro lutam para tirar as “casas de permissividade”, vulgo boates e bares, de suas regiões. Pense como é em uma jovem capital. Leram aqui no COISAS sobre o filme DO COMEÇO AO FIM, com forte temática homossexual e questionador de valores familiares qual não será exibido em Goiânia. Por quê? Nenhuma rede comercial de cinema quer correr o risco de perder uma sala de exibição durante uma semana, já que o filme não trará volume de público para encher a sala e as redes só terão reclamações de “como aquela empresa exibe algo que desmoraliza os valores familiares e religiosos”. O ponto não é ser a favor do que acontece neste filme e sim incluí-lo na pauta de discussão sobre o ser humano, algo além de defender bandeiras.
Não vamos negar que a mentalidade da cidade melhorou, afinal, teremos um grande festival GLS no principal estádio de futebol da cidade. E empresas mais novas como Fran’s Café, Subway, padarias restaurantes e outros treinaram muito bem seus funcionários para ver o homossexual como um cliente que deve ser respeitado tanto quanto o marido com esposa e filhos. Enfim, não acho que devemos anular algum tipo de cultura ou estilo de vida, longe de mim, porém as diferentes culturas e modos de se ver a vida devem coexistir e se respeitar. Com isso conseguimos ir além de nossos umbigos e entender um pouco mais o que se passa em nossas cabeças.
Na foto: monumento das três raças. Localizado na praça Cívica.


