À Prova de Morte
Três anos. Esse foi o tempo que demorou para À Prova de Morte, de Quentin Tarantino, estrear aqui no Brasil. Não dá pra entender porque, já que é um dos melhores do diretor maluco. A trama (como a de todos os filmes dele) não é nada demais: três garotas resolvem curtir a balada e são perseguidas por um dublê maníaco que tem uma tara: matar mulheres com seu carro indestrutível. O filme poderia, muito bem, ser dividido em duas partes: na primeira, vemos como o psicopata, interpretado por Kurt Russell, escolhe, “se apaixona” e mata suas vítimas. Na segunda, ele se depara com umas meninas nem um pouco frágeis… e pode se dar mal.
Ok, contei muito? Tudo bem. O que interessa mesmo no cinema de Tarantino é a forma como ele conduz seus fiapos de história, se concentra na atuação do elenco e estiliza as técnicas de filmagem, homenageando seus gêneros preferidos e retomando elementos de outros de seus longas. Só como exemplo, na segunda parte, o carro dirigido pelas meninas rebeldes é amarelo com três linhas pretas. Coincidência ser nos mesmos tons da roupa de Uma Thurman em Kill Bill? Não, né?
Os diálogos do diretor/roteirista também sempre valem o filme. A sequência em que as garotas estão na lanchonete e contam como uma delas sempre cai em pé como uma gata vai ser lembrada mais adiante. Sem contar a eterna piada sobre homens com carrões terem “o membro” pequeno. Tudo isso para chegarmos às cenas de ação: é capaz de você não conseguir dormir depois que assistir ao primeiro “acidente” de carro. Mas vai se sentir vingado quando assistir a uma perseguição com direito a tiros, mulheres voadoras, vacas leiteiras e gente comendo areia.
À Prova de Morte a segunda parte do projeto Grindhouse, criado pelo próprio Tarantino e Robert Rodriguez, uma homenagem aos filmes de terror dos anos 70: baratos, cheios de sexo e com muita violência. O outro filme do projeto, Planeta Terror, de Rodriguez, esteve nos cinema daqui há três anos e é ótimo também. Para quem não viu este também, a dica é sair de mais uma ótima experiência tarantinesca no cinema e partir para as loucuras de Rodriguez. Não tem nada melhor. Ok, talvez tenha, mas não vem ao caso.